Home SST - Saúde Ocupacional Saúde do trabalhador rural compõe programação de estudos e treinamentos

Saúde do trabalhador rural compõe programação de estudos e treinamentos

Força importante na economia brasileira, esse contingente de trabalhadores está sujeito a riscos ocupacionais, como exposição ao calor extremo e agrotóxicos, além de questões que afetam silenciosamente a saúde, como diabetes e hipertensão

Se você se alimentou hoje, do arroz e feijão a legumes e frutas, certamente foi por conta do empenho de pessoas que vivem e usam a terra como instrumento de sustento, e estão sujeitas a riscos ocupacionais que estão chamando ainda mais a atenção para a Saúde e Segurança do Trabalho (SST).

Em números compilados pelo Centro de Pesquisa em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgados pela CNN, relevam que em 2025, mais 28,4 milhões de trabalhadores estão atuando no agronegócio, representando 26,3% do mercado de trabalho formal no país.

Já outro dado é preocupante: um levantamento da Oxfam Brasil mostra que 45% dos trabalhadores rurais assalariados cumprem mais de 40 horas semanais, sendo que 23% ultrapassam o limite legal de 44 horas.

Para piorar, ao menos 26% não têm carteira assinada, o que os deixa fora da proteção legal e mais expostos a jornadas irregulares, extensas e riscos laborais. “Os dados mostram que a sobrecarga no campo não é exceção, mas regra. Reduzir a jornada não é apenas uma pauta urbana. Quando trazemos a realidade do campo, é uma questão de dignidade, saúde e justiça social”, alerta Viviana Santiago, diretora-executiva do órgão.

 

Pesquisa científica premiada

 

A pesquisa intitulada “Perfil epidemiológico e fatores ocupacionais em assentamento rural no Pontal do Paranapanema”, analisou a realidade de trabalhadores do Assentamento Água Sumida, na cidade de Teodoro Sampaio (SP), compreendendo as condições de trabalho e de vida influenciam a saúde dessa população.

Feita pelo médico do trabalho Wilson José Constante Júnior, a análise mostrou que 38,7% dos moradores atendidos tinham mais de 60 anos, e identificou índices elevados de doenças crônicas, como a hipertensão arterial (34,1%), e diabetes (14,3%).

Exposições prolongadas ao sol e ao calor, ao peso e esforços físicos intensos, além de contato com produtos químicos, agrotóxicos e dificuldades de acesso aos serviços de saúde foram outros problemas identificados. “Isso evidencia que o desafio vai além dos acidentes de trabalho imediatos, envolvendo também um adoecimento crônico, silencioso e progressivo”, disse, ao g1, o médico.

Tal estudo foi agraciado em 1º lugar entre os trabalhos científicos apresentados no Congresso Paulista de Medicina do Trabalho, realizado em São Paulo.

 

Agrotóxicos

 

Em São Francisco de Itabapoana (RJ), 200 agentes comunitários de saúde, enfermeiros da Estratégia Saúde da Família (ESF) e representantes da Secretaria Municipal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento participaram, participaram neste mês da oficina “Saúde do Trabalhador Rural e Atenção Primária”, promovida pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde.

O destaque ficou na conscientização de temas pertinentes, como a integração entre as áreas de saúde sobre o uso dos agrotóxicos e os impactos nas mudanças climáticas. “É uma temática que perpassa todas essas áreas: vigilância em saúde, a saúde do trabalhador e a atenção primária, principalmente aqui, uma região de produção rural onde se usa agrotóxicos”, destacou Carla Ribeiro, técnica da coordenação da Vigilância Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro.

“É preciso atualizar todos os profissionais da área da saúde, em especial os agentes comunitários porque são eles que estão no território, conhecem o dia a dia, os problemas reais e sabem exatamente onde estão os gargalos”, endossou a servidora.

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