“Vidas alheias, riquezas a salvar”. Essa é a premissa dos bombeiros e tomou ainda mais forma quando circularam na internet as imagens do salvamento dos militares (CBMMG) de um cachorro debaixo dos escombros de uma casa no bairro Jóquei Clube I, em Juiz de Fora, na Zona da Mata Mineira, região que, juntamente com Ubá, enfrentou fortes chuvas em fevereiro.
A corporação atua em conjunto com a Defesa Civil e grupos de voluntários nos resgates, que após a ocorrência, destinam os animais salvos para lares temporários, clínicas parceiras e também para canis municipais.
Segundo informações da CBN, voluntários do Grad, Grupo de Resgate Animal, e bombeiros retiraram cães, gatos, aves e até bichos de fazendas nessa ocorrência, e em apenas um dia 30 animais foram resgatados de escombros, como uma com filhotes e um bezerro em uma área alagada.
Salvamentos de animais diversos
Outro caso de grande repercussão aconteceu em março na região de 450 bovinos resgatados do navio atingido por um incêndio no Porto de São Sebastião (SP). Os animais saíram de uma fazenda em Barretos (SP) com destino à Turquia, mas, por conta do incidente, precisaram retornar ao local de origem.
De acordo com o g1, dos mais de 2,6 mil bovinos destinados à exportação, 450 chegaram a ser embarcados e mesmo com o procedimento de resgate, três acabaram morrendo enquanto aguardavam no porto. O navio estava atracado quando pegou fogo, por volta das 21h do dia 03/03.
As chamas se espalharam pelo feno utilizado para a forração e 30 toneladas do material foram queimadas. O Corpo de Bombeiros foi acionado pelo porto e controlou as chamas, porém um bombeiro e cinco tripulantes precisaram ser socorridos após inalarem fumaça, mas sem feridos.
As causas estão sendo investigadas, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e o gado salvo retornou ao local de origem e passou por atendimento veterinário.
Atividade recorrente
Engana-se quem pensa que esses casos só acontecem em situações climáticas extremas: de denúncias de maus-tratos, retirada em estradas até o salvamento de um animal silvestre em uma zona urbana, os bombeiros se preparam para tal ação.
Em Sergipe, o Corpo de Bombeiros (CBMSE) resgatou 1.196 animais em situação de risco em 2025, crescimento de 74 % em relação a 2024, quando foram registrados 687 casos. Animais domésticos (cães e gatos) encabeçam a lista, seguido de bovinos e equinos.
Cobras, jacarés, corujas, capivaras e tamanduás também fazem parte dos resgatados pelos militares. “São cães e gatos que ficam presos em locais de difícil acesso, como entre paredes. Já em áreas rurais, resgatamos com uma certa frequência bovinos e equinos que caem em poços artesianos ou ficam atolados. Também resgatamos em incêndio”, explica o major Augusto Cordeiro, da Assessoria de Comunicação do CBMSE.
Já em Alagoas, o Corpo de Bombeiros (CBMAL) contabilizou 386 ocorrências envolvendo resgate de animais domésticos, silvestres e insetos até o dia 5 de março deste ano, queda de 23% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 507 ocorrências.
Em compensação, a captura de animais silvestres é uma das mais expressivas na corporação – 40 notificações somente neste ano, correspondendo a 10% dos atendimentos de animais como cobras, jacarés, bichos-preguiça, tamanduás e tatus e ocorrem com frequência nas cidades alagoanas.
Destaque também para a captura de insetos (abelhas, marimbondos) com 248 registros, o que representa 64% do total e os resgates de animais domésticos, como gatos, cachorros e cavalos, com 63 casos, correspondendo a 16% das ocorrências.
Treinamentos e regramentos
Para o resgate seguro do animal e do bombeiro, capacitações em zoológicos são o clássico dessas atividades. Em Canoas (RS), o zoológico recebeu uma equipe da corporação para uma oficina técnica, em que houve as instruções sobre a identificação das espécies mais comuns na região, os tipos de chamados recebidos pelo município, a avaliação de resgate ou soltura, técnicas de manejo e contenção segura, além do correto encaminhamento para atendimento médico veterinário.
A atividade fez parte do fortalecimento de parceria entre bombeiros e times do zoológico. “O atendimento a animais silvestres é um chamado recorrente. Muitas vezes, a equipe se depara com situações em que não é possível remover o animal do local com segurança, e, pelo risco envolvido, o Corpo de Bombeiros é acionado”, frisa o comandante do 1º Pelotão de Bombeiros Militar de Canoas, Anderson Rogovschi, que participou da vivência.
Já em São Paulo foi publicado o Decreto nº 69.582/2025, que estabelece atribuições especificas ao resgate de fauna silvestre no Estado, determinando quem são os responsáveis por essa função, conforme a zona e malha viária as quais estão sob administração, sendo a Secretaria do Meio Ambiente, a Fundação Florestal, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), concessionárias, Polícia Militar Ambiental, o Corpo de Bombeiros (CBPMESP) e a Polícia Rodoviária.
No caso das forças de segurança, a Polícia Militar Ambiental (confira mais esclarecimentos aqui) realiza a apreensão de fauna (denúncia de maus-tratos e venda ilegal, por exemplo), enquanto a Polícia Militar Rodoviária, em apoio ao DER e às concessionárias de serviço público rodoviário, no atendimento de ocorrências envolvendo animais silvestres (resgate nas estradas).
Cabe aos bombeiros, por sua vez, apoiar em situações com risco iminente à integridade física, como ferimentos, debilidade ou danos à sociedade. “Com esse decreto, cada órgão tem a sua função definida e a população ganha clareza sobre como agir”, explica o tenente PM Daniel Pires, da Polícia Militar Ambiental.




