O Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP) está em articulação com outras entidades hospitalares com o intuito de fomentar ações a favor do bem-estar dos profissionais de saúde.
Entre as atividades, a entidade recebeu a visita de representantes da Secretaria Municipal de Saúde do município de São José do Rio Preto para dialogar sobre saúde mental e bem-estar dos trabalhadores da categoria, com estratégias de prevenção e promoção da saúde no ambiente de trabalho, acompanhamento de indicadores ocupacionais e a importância do cuidado contínuo.
Outra pauta defendida é pelo repúdio a violência no exercício da profissão, se reunindo com o SindHosp, o Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do estado de São Paulo, para firmar parceria no combate à violência contra profissionais de saúde. Em comunicado, o Coren-SP afirma que participando de audiências públicas e levando propostas a gestores públicos e secretarias municipais de saúde e de segurança pública para sanar tais desafios.
“A violência contra profissionais de saúde é uma questão preocupante e que aumentou bastante após a pandemia. Se fazem necessárias ações efetivas de combate a esse problema, que acaba impactando negativamente todo o sistema de saúde e a qualidade da assistência prestada à população”, informa nota.
Saúde Mental: quem cuida de quem cuida?
Um levantamento do Ministério da Saúde, que avaliou dados do setor de 2017 a 2022, mostra que mulheres residentes no Sudeste do Brasil entre 30 e 39 anos compõem a maior parte da força de trabalho da enfermagem com formação superior, e enfrentam jornadas exaustivas, vínculos trabalhistas mais instáveis, como as terceirizações, além da estagnação e queda da remuneração média dos profissionais do setor, sobretudo entre auxiliares e técnicos.
Outro relatório, este da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Conselho Internacional de Enfermeiros (ICN) mostra ainda mais um agravante: no Brasil, a diferença salarial entre homens e mulheres é de 7%, e os profissionais de enfermagem estão expostos à sobrecarga, falta de proteção à saúde física e mental.
“Com salários baixos e jornadas acumuladas, cresce o risco de exaustão e de falhas na assistência, em um trabalho que exige atenção e tomada de decisão constantes”, enfatiza Helena Leal David, enfermeira da Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), à revista Pesquisa Fapesp.
Em nota, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) reconhece que o ano será de enfrentamento aos desafios estruturais, como o adoecimento ocupacional, episódios recorrentes de violência nos serviços de saúde e a sobrecarga associada ao envelhecimento acelerado da população.
Segundo o g1 com base em dados da plataforma SmartLab, técnicos de enfermagem (6º), auxiliares (18º) e enfermeiros (22º) estão entre os trabalhadores mais afastados por razões de saúde mental e, juntos, esses profissionais somam 70.701 licenças entre 2012 e 2024.
Foto: Divulgação Coren-SP




