O Ministério do Trabalho no final de 2025 nomeou mais de 800 Auditores-Fiscais do Trabalho (AFTs; falamos deste assunto aqui), ampliando o efetivo e fortalecendo a atuação do Estado na proteção dos direitos trabalhistas. Mais que uma contratação, esse momento é determinante para a união de gerações e o mundo do trabalho desafiador e pungente, como a Indústria 5.0, a Inteligência Artificial (IA), o trabalho híbrido e a agenda ESG (Environmental, Social and Governance).
Na visão de Cléber Nilson Amorim Junior, auditor na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Maranhão (SRTb/MA) e autor do livro “Segurança e Saúde No Trabalho: Princípios Norteadores” (mais informações neste link), o aprendizado mútuo entre os que já estão na ativa e os que estão chegando na função é essencial, já que multidisciplinaridade não é apenas um detalhe curricular, mas um ativo estratégico, pois a Saúde e Segurança do Trabalho (SST) exige rigor técnico, mas sua aplicação prática depende da diversidade de conhecimentos.
“Ao acolhermos um novo colega psicólogo ou engenheiro, permitimos que a análise de um acidente de trabalho deixe de ser estritamente normativa para se tornar integral, alcançando desde a falha mecânica até os fatores psicossociais e organizacionais relacionados ao caso”, arremata o especialista.
Amorim Junior acrescenta que é preciso promover a troca geracional de informações, bem como a educação continuada que una expertises. “Promover espaços onde essas vozes se cruzam sem preconceitos, elimina ruídos institucionais e fortalece nossa atuação frente às empresas”, escreve o especialista, em artigo ao Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinat).
Escala 6X1 e necessidade de mais auditores
Com a tramitação do fim da escala 6X1, a necessidade de mais auditores também entrou na pauta. O deputado federal Alencar Santana (PT-SP), presidente da comissão, enviou no fim de maio um ofício ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) pedindo reforços nesse quadro caso a PEC seja implementada. “Sem a fiscalização, há o risco de que a redução da jornada exista apenas no papel, enquanto milhões de trabalhadores continuem submetidos à intensificação e ao adoecimento provocado pelo excesso de horas trabalhadas”, frisa o documento, divulgado pela CNN.
Após a contratação em dezembro do efetivo, a carreira passou de 1,8 mil para 2,7 mil profissionais, o maior número nos últimos 10 anos. Contudo, o registro é ainda insuficiente: segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil deveria contar com ao menos 5,5 mil AFTs, feito ainda não alcançado.
Dados do Painel Estatístico de Pessoal (PEP), do governo federal, divulgados pelo g1, relevam ainda que o maior índice profissional foi em 1996, quando havia 3.423 servidores na carreira, fruto de convocações do concurso realizado em 1994.
Hoje, o país amarga o menor número em 30 anos, um risco à vida das pessoas trabalhadoras e comprometimento de ações no combate a violações trabalhistas.




