As queimadas seguem como um dos principais motivos de interrupção no sistema de transmissão do Brasil, informa o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Para tanto, a conscientização é um instrumento importante para evitar tais prejuízos.
O tema norteia a campanha à população deste ano da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), especialmente por conta do calor extremo e prejuízos ao fornecimento de energia elétrica, intitulado “O clima mudou. Nossa responsabilidade também. Quando a Terra pede socorro, o fogo não pode ser resposta”.
Em números, a ANEEL monitora 49.641 quilômetros de linhas de transmissão em todas as regiões do Brasil., sendo que em 2025, foram monitoradas 142 linhas e em 2026 foram incluídas no sistema de monitoramento mais 17 linhas de transmissão. Apenas em 2024, a Agência contabilizou 931 desligamentos causados por queimadas.
Programas educativos
As concessionárias também monitoram suas estações e realizam limpezas nas áreas instaladas, bem como promove ações educativas para prevenção, em parceria com os Estados. Em Tocantins, há o programa Foco no Fogo, do Comitê Estadual de Combate aos Incêndios Florestais e Controle de Queimadas no Estado, com a participação da concessionaria Energisa, em que eletricistas e auxiliares comerciais atuam junto com as comunidades rurais, que representam 90% de seus clientes locais, nesse trabalho de conscientização.
Até o início de julho, o projeto anual criado em 2020, já alcançou 12 mil pessoas em 40 municípios. Em números, foram mais de 1,9 mil ações realizadas, incluindo 32 palestras. “Conscientizar sobre as queimadas ilegais é educar para a vida. Investir em educação ambiental não é apenas uma escolha sensata, é uma urgência”, comemora Erliette Gadotti, diretora de Educação Ambiental para Sustentabilidade da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos.
“As queimadas colocam em risco a segurança da população e a continuidade do fornecimento, especialmente em áreas onde a rede elétrica passa próxima à vegetação”, endossa Luciana Teixeira, coordenadora de Segurança da Energisa Tocantins.
Goiânia lidera ocorrências
Um levantamento do site Mais Goiás com a distribuidora do estado Equatorial mostrou que as queimadas afetaram o fornecimento de 60 mil clientes em 2025, com uma média de 384 ocorrências, queda de 44,8% na comparação com 2024. Goiânia foi a região com mais casos, com 55 ocorrências, seguida de Luziânia (26), Catalão, Senador Canedo e Cristianópolis, com 19 casos respectivamente. A tecnologia é aliada no monitoramento, com o uso de drones para inspeção, salienta Vinicyus Lima, gerente do Centro de Operações Integradas da Equatorial Goiás.
“Durante a inspeção, os técnicos procuram sinais de fuligem, aquecimento e danos em postes, isoladores, cabos e conexões, o que ajuda a definir quais equipamentos precisam ser consertados ou substituídos antes da retomada do fornecimento”, frisa a matéria.
Ações em São Paulo
Já em São Paulo, a questão das pipas é um agravante no atingimento e risco de incêndios em rede elétrica. Segundo dados divulgados pela CNN, apenas em 2025, mais de 1 mil ocorrências do tipo foram registradas, aumento de 14% se comparado ao ano anterior.
Além do brinquedo, os balões figuram outra problemática, forçando o desligamento da rede ao emos por duas vezes, também no ano passado. Ao menos 33 mil casas foram afetadas por interrupções momentâneas causadas pela queda de balão em 2026.
“Vale lembrar que intervenções em faixas de segurança das linhas de transmissão são proibidas e, é vedado o uso de fogo em uma faixa de 15 metros das linhas de transmissão e de 100 metros das subestações”, alerta Fabiano Camargo, gerente de Operações da ISA Energia Brasil, responsável pela transmissão de energia em São Paulo.
Outra novidade é que a Prefeitura da capital paulista, por meio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), inaugurou a primeira Central de Monitoramento contra incêndios florestais, na zona leste, instalada no Parque Vila do Rodeio, como parte das ações preventivas da Operação Fogo Zero, garantindo maior eficiência ao sistema de vigilância ambiental e proteção dos remanescentes de Mata Atlântica da região.
Operando 24 horas por dia, o sistema conta com torres equipadas com câmeras de longo alcance, que identificam de 20 a 25 km pontos de calor em áreas de vegetação, graças a tecnologia termal e sensores infravermelhos.
Em caso de detecção de incêndios, a ação é integrada entre Guarda Civil Metropolitana Ambiental (GCM Ambiental), Corpo de Bombeiros e Polícia Militar Ambiental, informa comunicado da Prefeitura de São Paulo.





