Um incêndio de grandes proporções atingiu um dos pavilhões de frutas, identificado como MFE-A, no Entreposto Terminal São Paulo (ETSP) da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP), na Vila Leopoldina, Zona Oeste da capital, entre a noite de sábado (05/09) e a madrugada de domingo (06/09).
As chamas consumiram ao menos 320 boxes e prejudicou 124 permissionários, que improvisaram em uma rua interna do entreposto um comércio – delimitado por linhas – para venda das mercadoras, pincipalmente melancias.
De acordo com informações do g1, a ocorrência começou por volta das 23h de sábado e levou três horas para ser controlada; a Defesa Civil divulgou que não houve registro de vítimas e a Polícia Civil abriu uma investigação para esclarecer as circunstâncias do incêndio.
Investigação na Ceagesp
O caso foi registrado no 7º Distrito Policial, na Lapa, e até o momento, o local afetado permanece preventivamente interditado. Em nota, a CEAGESP destaca que apenas um dos pavilhões do complexo que está isolado e o restante do ETSP está com funcionamento normal, sem risco de desabastecimento.
“Desde os primeiros momentos da ocorrência, foram mobilizados o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, as equipes da CEAGESP e demais órgãos responsáveis, com prioridade absoluta para a segurança das pessoas, o controle da situação e a adoção das providências necessárias”, detalha o comunicado.
Segundo o Corpo de Bombeiros, houve muito fogo no local e 16 viaturas foram deslocadas para debelar as chamas, já os danos estruturais foram significativos. Após o rescaldo, não foi possível realizar uma avaliação interna em meio ao risco de colapso e desabamento, informou a corporação.
Hilton Piquera, secretário do Sindicato do Comércio Atacadista de Frutas do Estado de São Paulo (Scaf), disse que o galpão é distribuído por 325 módulos, com 265 empresas, e 30 mil m² foram totalmente consumidos pelo incêndio. “Acreditamos que foram perdidas cerca de 80 carretas de mercadorias – entre frutas e outros alimentos”, frisou o sindicalista, à CNN.
Denúncias
A CEAGESP é uma empresa federal, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário, cuja área total conta com mais de 600 mil metros quadrados, entre mais de 30 armazéns e galpões. Conforme já falado anteriormente em CIPA & Incêndio, é essencial a checagem e manutenção de tais estruturas, como galpões e espaços confinados.
Entretanto, de acordo com denúncias dos comerciantes que trabalham no local, isso não acontece. Ao Estadão, permissionários que não quiseram se identificar disseram que o galpão atingido pelo fogo apresentava riscos elétricos – como fiação danificada e inclusive casos de apagão durante o último Natal (2025, saiba mais neste link) –, e que a direção do entreposto foi alertada diuturnamente.
Uma das prejudicadas pela ocorrência, a empresária Marcela Costa, contabiliza prejuízos por volta de R$ 250 mil no escritório recém-reformado de sua loja de cocos, completamente destruído pelo incêndio. Por volta de dez dias antes do caso, Costa avisou à direção que uma caixa de energia próxima ao mezanino onde ficava o escritório começou a fazer barulhos semelhantes a estouros, porém somente no dia seguinte à notificação que uma pessoa foi checar a situação.
Em relação à ocorrência em si, denunciantes afirmaram que, primeiramente, um caminhão-pipa da própria CEAGESP tentou de conter a chamas e, como não estava logrando êxito, o Corpo de Bombeiros foi acionado. “A demora teria contribuído para que o fogo se alastrasse mais rapidamente, de acordo com os relatos”, aponta o Estadão.
Próximos passos
Em nota, o órgão ressaltou que, após liberação, o local passará por limpeza e detalhamento dos danos, a fim de dar início ao recuperação total, estimada em cerca de 12 meses, e retorno dos comerciantes às suas áreas de origem.
“A CEAGESP mantém diálogo permanente com uma comissão de comerciantes que operam no pavilhão atingido, com o objetivo de definir, em conjunto, medidas emergenciais e alternativas operacionais, minimizando os impactos sobre suas atividades”, salienta.




