Um levantamento divulgado recentemente pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) mostra que o Brasil poderá ser atingido por pelo menos seis ondas intensas de calor nos próximos meses, consequências já sentidas por conta do recente El Niño. Tais temperaturas elevadas devem prevalecer em todo o país, em regiões com alta taxa de estiagens, o que pode provocar incêndios, e com chuvas intensas, o que, consequentemente, aumentará a frequência de cheias.
No país, as mobilizações são sendo feitas e especialistas endossam a importância da intensificação de medidas preventivas. Para se ter uma ideia, estimativas da Confederação Nacional de Municípios (CNM) mostram que os impactos iniciais de desastres associados às mudanças climáticas às cidades e ao setor privado podem ultrapassar R$ 3,5 bilhões, entre perdas acumuladas em diversas regiões afetadas por secas extremas ou enchentes, direta ou indiretamente.
Os prejuízos, entretanto, vão além de estruturas, como rodovias interditadas por conta de deslizamentos provocados por chuvas intensas na Região Sul ou problemas de navegação na Região Norte decorrentes da estiagem nos rios: de perdas na agricultura a disseminação de doenças, o recado é urgente para a entender que a crise climática sai da esfera ambiental e converte-se a riscos macroeconômicos.
“A frequência de dias extremamente quentes pode superar a média estimada devido à intensidade do atual Super El Niño, que caminha para figurar entre os mais fortes já documentados”, alerta, à Band, a pesquisadora Mabel Calim Costa, do Sistema Terrestre e investigadora do Cemaden.
Integração entre estados do Sul
O Sul, que tem um histórico desafiador no enfrentamento de enchentes, está na rota de tempestades e eventos extremos em relação à água, o que confere a necessidade ainda mais precisa de bombeiros, brigadistas e demais profissionais no resgate de vítimas.
As corredeiras do Rio Iguaçu receberam mais de 100 militares das corporações militares do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul para um robusto treinamento de situações de grandes enchentes e acidentes com vítimas em águas turbulentas. Além da região que contempla as icônicas Cataratas, o que incluiu os cânions, o Rio Tamanduá, a cachoeira da Usina de Itaipu e o Canal da Piracema também fizeram parte da dinâmica, organizada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR).
De motoaquáticas a drones, além de capacitação humana, tais instrumentos são essenciais para atuação em cenários críticos e de difícil acesso, principalmente no auxílio em movimentação e transposição na água.
“Ao integrar a tecnologia internacional com a vivência prática local e o esforço conjunto das corporações do Sul, a operação consolida um novo padrão de eficiência e prontidão operacional para a preservação de vidas em desastres naturais”, destacou o CBMPR, ao GDIA.
A capacitação integra a terceira fase do Programa de Resposta em Ações Integradas para a Atuação em Situações de Desastres (Respad), da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), criado em 2024 após a tragédia ocorrida no Rio Grande do Sul (confira matéria especial em CIPA & Incêndio), e que visa o preparo e integração dos bombeiros de diferentes regiões do Brasil para a atuação em operações de grande risco.




