As mudanças climáticas têm despertado a atenção de todo o mundo nos últimos anos, trazendo à tona a necessidade de soluções concretas para mitigar seus impactos. Neste contexto, a ConectarAGRO apresenta um estudo que demonstra como a conectividade rural pode ser uma aliada na mitigação dos efeitos ambientais. A pesquisa revela uma correlação entre a cobertura 4G e a incidência de incêndios em territórios rurais no país. O levantamento reforça o papel da infraestrutura digital como instrumento de prevenção, monitoramento e resposta rápida aos incêndios em áreas rurais, um tema diretamente ligado aos desafios de adaptação climática.
Os estados de Tocantins, Roraima e Mato Grosso lideram o ranking de maior proporção de área queimada em relação ao território total, com 10,95%, 9,95% e 7,94%, respectivamente. Todos apresentam baixos índices de conectividade, com menos de 3% da área coberta por sinal móvel. Já São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde a cobertura 4G ultrapassa 60%, registraram menos de 1% de área queimada. A relação inversa entre as variáveis se mantém também no Índice de Conectividade Rural (ICR), indicador desenvolvido pela ConectarAGRO: os estados mais afetados pelo fogo, Mato Grosso, Pará, Tocantins e Roraima, estão entre os que têm os menores valores de ICR Ambiental, enquanto regiões mais conectadas exibem índices mais altos.
As diferenças regionais também são marcantes. As regiões Norte e Centro-Oeste concentram a maior parte das áreas queimadas e apresentam as menores taxas de conectividade. “Essa lacuna tecnológica compromete a capacidade de prevenção e reação dos produtores rurais, reduzindo a eficácia dos sistemas de alerta precoce. Em contrapartida, as regiões Sudeste e Sul, com redes móveis mais abrangentes, registram os menores índices de incêndios, beneficiadas pelo uso de sensores, aplicativos e monitoramento remoto em tempo real”, explica Paola Campiello, presidente da ConectarAGRO.
Mais segurança com conectividade rural
Nos municípios, os contrastes são ainda mais evidentes. São Félix do Xingu (PA) e Corumbá (MS), que juntos somaram quase 2,4 milhões de hectares queimados, apresentam cobertura digital inferior a 2%. Já cidades paulistas como Barrinha, Dumont e Pontal, com cobertura acima de 80%, figuram entre as que tiveram menor proporção de área queimada no país. A análise reforça que existem vários contextos e variáveis sobre incêndios em territórios rurais no país, mas alerta para a hipótese de que a conectividade amplia o acesso à informação e à conscientização, atuando como ferramenta de resposta imediata em situações de risco.
A conectividade rural viabiliza a comunicação em tempo real entre produtores, comunidades, órgãos ambientais e equipes de emergência. Com acesso à internet, é possível identificar e relatar focos de incêndio logo nos estágios iniciais, quando o fogo ainda pode ser controlado, além de receber alertas meteorológicos e informações de risco emitidos por sistemas de monitoramento remoto. A conexão também permite o uso de tecnologias como sensores, satélites e aplicativos de gestão, que ajudam a mapear áreas críticas, planejar ações preventivas e coordenar de forma mais eficiente as operações de combate. Em regiões onde o sinal é ausente ou instável, essas respostas se tornam mais lentas.
Análise por biomas
O estudo também faz um recorte por bioma, mostrando como a conectividade e o comportamento do fogo variam em cada ecossistema. Amazônia e Cerrado, juntos, responderam por mais de 27 milhões de hectares queimados, cerca de 87% do total nacional. A Amazônia, com 16,6 milhões de hectares afetados, teve apenas 2,7% de sua área coberta por sinal 4G, e o Cerrado, com 10,5 milhões de hectares, apresentou 5,8% de conectividade. O Pantanal, por sua vez, registrou o maior percentual de área queimada em relação ao território total (14,3%), aliado ao menor índice de conectividade entre todos os biomas, apenas 1,18%. A combinação de clima seco, baixa umidade e ausência de comunicação eficiente contribuiu para a rápida propagação dos incêndios, dificultando a coordenação de ações emergenciais, revela a pesquisa.
Já a Mata Atlântica apresentou o cenário oposto. Com 52% de sua área coberta por sinal móvel, o bioma registrou apenas 1,1% de área queimada, a menor taxa entre todos. Cidades paulistas e paranaenses, com infraestrutura digital consolidada, destacaram-se pela capacidade de resposta e monitoramento, demonstrando como a conectividade pode contribuir para a redução do risco ambiental. A Caatinga e o Pampa também apresentaram incidência relativamente baixa, 0,5% e 0,04%, respectivamente, ambos com níveis intermediários de conectividade (entre 17% e 20%).
“As causas dos incêndios são multifatoriais, envolvendo aspectos físicos, biológicos e sociais. Porém, a existência de canais de comunicação eficientes é um fator decisivo para reduzir a extensão dos danos. A ausência de sinal impede o uso de tecnologias de alerta, a troca de informações entre produtores rurais e autoridades e a disseminação de boas práticas de manejo, enquanto a conectividade permite o acionamento imediato de equipes de resposta e o uso de dados em tempo real para o controle do fogo”, completa Campiello.
Para a ConectarAGRO, a expansão da conectividade rural é uma estratégia de sustentabilidade e adaptação climática. Ao permitir que comunidades rurais estejam integradas a redes de monitoramento e sistemas de gestão ambiental, o país amplia sua capacidade de prevenir desastres e proteger seus ecossistemas.




