O trabalho dos bombeiros também ultrapassa fronteiras, seja entre países, seja dentro do próprio território brasileiro, o que engloba, principalmente, o combate a incêndios florestais e medidas preventivas para evitá-los.
Em Mato Grosso do Sul, o Corpo de Bombeiros do Estado (CBMMS) conta com o Comando de Bombeiros de Fronteiras (CBFron), que realiza a chamada Rota de Inspeção na região Sul Fronteira do Estado, que neste ano contemplou os quartéis de Ponta Porã e Amambai.
O foco na atividade é a escuta das principais demandas operacionais da região, bem como os projetos e objetivos voltados ao aprimoramento das instalações e melhoria contínua dos serviços prestados à população.
O comando-geral do CBMMS também se reuniu com o efetivo de Grupamento e Subgrupamento, além do contato com os Aspirantes-a-Oficiais, que acompanharam as ações desenvolvidas durante a inspeção, contribuindo para o aprimoramento profissional e a integração junto às unidades operacionais da região de fronteira.
De acordo com informações do CBFron, os aspirantes tiveram a oportunidade de conhecer principais serviços desempenhados pela unidade operacional do CBMMS em Amambai, como o atendimento às comunidades indígenas, as operações de busca e salvamento em áreas alagadas, o combate a queimadas e o atendimento a emergências clínicas.
Estados do Nordeste
Já os nove estados que compõem a região Nordeste do país também se uniram a favor da troca de experiências, durante a segunda edição do Simulado Operacional dos Corpos de Bombeiros do Nordeste (II SIOP-NE), na Bahia (a primeira edição foi em 2024, saiba mais em CIPA & Incêndio).
Na ocasião, os Corpos de Bombeiros Militares participaram de uma grande operação integrada voltada ao aprimoramento da resposta a desastres e emergências de grande complexidade, o que incluiu simulações de atendimento a inundações e enchentes e busca e resgate em áreas remotas.
Destaque para o simulado operacional, em que durante 24 horas ininterruptas os militares atuaram em diferentes cenários, aplicando protocolos de resposta, comunicação, coordenação interinstitucional e emprego de recursos especializados.
Ação binacional em prol das fronteiras
Outra ação envolveu Brasil e Bolívia para a proteção do Pantanal e do Chaco, por meio de uma cooperação técnica promovida entre o Instituto Homem Pantaneiro (IHP) e a Armada Boliviana, com uso de tecnologias de ponta na região de fronteira entre países para a prevenção de incêndios florestais.
Uma dessas aplicações envolve a Rede de Proteção e Conservação da Serra do Amolar (Rede Amolar), em Corumbá (MS) e as Áreas Naturais de Manejo Integrado San Matías, entre os municípios bolivianos de Puerto Quijarro, San Matías e San Ignácio de Velasco, e Otuques, em Puerto Suárez, Puerto Quijarro.
Durante essas vivências, o IHP apresentou aos oficiais bolivianos o uso de Inteligência Artificial (IA) e sistemas de detecção que permitem identificar focos de calor antes que se tornem chamas incontroláveis. “A conservação do Pantanal não reconhece fronteiras políticas e temos áreas fundamentais a serem protegidas. O trabalho conjunto é fundamental para garantir que os esforços de proteção sejam coordenados e eficazes em ambos os lados”, conta Angelo Rabelo, diretor-presidente do IHP.
Para o Capitão de Fragata José Martín Torrico Bravo, do 5º Distrito Naval Santa Cruz da Armada Boliviana, essa troca fortalece a prontidão das tropas na região transfronteiriça. “A participação é importante porque amplia o conhecimento dos bombeiros florestais em torno do uso de tecnologias, técnicas para resgate de animais selvagens, permitindo que possam atuar de forma mais adequada durante ações de campo”, conclui.




