Por conta das estimativas de alterações no cenário climático este ano pelo fenômeno El Niño, todas as esferas de governo no país estão se mobilizando para antecipar ações e colocar em prática medidas preventivas ante aos possíveis danos que possam decorrer.
Uma dessas mobilizações ocorre no Congresso Nacional, com a análise a Medida Provisória (MP) 1367/26 (íntegra neste link) para créditos extraordinários no Orçamento de 2026, em uma comissão mista (deputados e senadores), sendo posteriormente votada pelos Plenários da Câmara e do Senado.
Com aportes de R$ 337,5 mi, o crédito para o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), que será destinado à prevenção e controle de incêndios florestais em áreas prioritárias, em cumprimento decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que resultaram no plano de ação emergencial de prevenção e enfrentamento aos incêndios florestais na Amazônia Legal e Pantanal, por exemplo.
O financiamento auxiliará as ações realizadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), informa o documento, que também ressalta a urgência do tema, principalmente pela “a imprevisibilidade ao agravamento do cenário climático, com a iminência de um novo episódio de El Niño em 2026, que criam um cenário excepcional e imprevisível”.
Campanhas e capacitações
Enquanto essas articulações tramitam, estados e municípios fortalecem ações em seus territórios. No Rio de Janeiro, o foco não ficou apenas no combate ao fogo em si, mas em encontrar um recurso essencial em um ambiente de alta complexidade: a água em um regiões florestais no controle de queimadas.
A instrução foi feita pelo Grupamento Tático para Suprimento de Água para Incêndios (GTSAI), do Corpo de Bombeiros Militar do Estado (CBMERJ) com 31 alunos do Curso de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais (CPCIF/2026), na sede do Grupamento de Busca, Resgate e Salvamento com Cães (GBRESC).
Na simulação, foram aplicados os protocolos de captação em áreas próximas aos focos de incêndio, além da operação de motobombas, aproveitamento de mananciais e técnicas de suprimento hídrico para viaturas. “Com o treinamento, o CBMERJ fortalece sua capacidade de gerenciamento de recursos hídricos, aspecto fundamental para o êxito das operações de combate a incêndios florestais e urbanos em benefício da população fluminense”, reforçou comunicado.
Já no Paraná, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado (IDR-Paraná), vinculado à Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), foi palco da abertura da 6ª Campanha Estadual de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, que tem apoio do Corpo de Bombeiros (CBMPR), a Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal (Apre Florestas) e outras 16 instituições públicas e privadas, como a Defesa Civil e o Simepar – Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná.
Com os slogans “Onde há fumaça, há quem solicita ajuda”, “Onde há fumaça, há animais em fuga” e “Onde há fumaça, há florestas desaparecendo”, a campanha envolve ações educativas, monitoramento de áreas, e boas práticas de prevenção, como a distribuição da cartilha “Turma dos Guardiões da Floresta” (íntegra neste link).
Direcionado às crianças de até 10 anos, a publicação foi lançada em 2024, fruto de uma parceria entre CBMPR e Apre Florestas, com textos da capitã Luisiana Guimarães Cavalca, integrante da Câmara Técnica de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais da corporação.
A militar explica que tal material juntamente com ações de conscientização têm resultados positivos, especialmente em comunidades rurais. “Como 90% dos incêndios são causados por seres humanos, a prevenção é possível. Se mudarmos a conduta desde a infância, conseguimos mudar o futuro”, arremata a capitã.
Segundo o CBMPR, houve 17.121 casos, sendo mais de 9,1 mil envolvendo queimadas em vegetações.





