Noticiamos recentemente aqui em CIPA & Incêndio o levantamento da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), que apontou o transporte rodoviário como um dos mais letais no Brasil, com a média de 143 mil acidentes e mais de 2,6 mil óbitos entre 2016 e 2025.
Muito mais que o cuidado com a direção e obediência às leis de trânsito, atuar nessa atividade também exige a integridade física e mental com o instrumento de trabalho, o automóvel, vem como as condições mínimas de segurança e ergonomia, principalmente por conta das jornadas extensas na posição sentada.
E isso é comprovado em números: de acordo com um levantamento da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet, 2022), problemas de saúde causados pela direção contabilizam mais de 170 mil sinistros registrados em rodovias brasileiras, com 50 mil pessoas feridas por uma falta de resposta rápida a uma situação imprevisível, como frenagem brusca ou desvio de objetos, animais ou mesmo pessoas em uma pista.
“A postura inadequada compromete a circulação, deixa o motorista mais cansado e pode atrasar reações importantes”, explica o Dr. Ricardo Hegele, vice-presidente da Abramet, ao AutoEsporte.
A ergonomia aplicada a essa função envolve a regulagem de itens veiculares como os bancos – altura, distância e inclinação –, o apoio lombar, a posição das mãos no volante, o alcance dos pedais e a visibilidade dos retrovisores.
Na outra ponta, negligenciar essa prática traz consequências à saúde, principalmente a ortopédica, como a incidência de lombalgias, além de distúrbios circulatórios – sendo um dos mais sérios a trombose venosa profunda –, devido a postura prolongada. A recomendação dos especialistas é fazer pausas a cada duas horas de estrada, com a saída do veículo e exercícios leves, como alongamentos e caminhadas.
Ergonomia veicular e viaturas adaptadas
Um estudo do National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH, EUA, 2024) aponta que o posicionamento inadequado de equipamentos embarcados aumenta a distração de policiais durante a condução veicular, o que compromete a segurança operacional.
Tal constatação incide na própria engenharia das viaturas, em que a indústria automotiva também volta as suas atenções para esses produtos, priorizando a interface entre motorista e veículo (Driver-Vehicle Interface – DVI), considerando aspectos além dos ergonômicos, como a disposição de comandos, usabilidade de painéis digitais (chamados de “computador de bordo”) e facilidade de acesso aos equipamentos para reduzir erros operacionais e tornar mais seguras as conduções dos agentes de segurança.
Na avaliação de Jonatas Matos, presidente do Grupo Raytec, especializada em transformação automotiva, os carros não se restringem ao meio de transporte, mas se tornaram estações de trabalho a muitos profissionais.
“O policial permanece embarcado por longos períodos, utiliza diversos dispositivos simultaneamente e precisa responder rapidamente a emergências. Pensar a ergonomia da viatura significa aumentar a eficiência operacional, reduzir o desgaste físico e contribuir para a segurança”, frisa, ao Estadão.
Transporte escolar
Pensar no condutor de pessoas é ainda mais importante, especialmente quando o público envolve estudantes. Em Cárceres (MT), o Projeto Saúde do Trabalhador realizou atendimentos odontológicos e médicos, vacinação, testes rápidos para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), além de aferição de pressão arterial e glicemia aos prestadores desse serviço de transporte de crianças e adolescentes pelas rotas urbanas e rurais da cidade.
“Os motoristas exercem uma função de grande responsabilidade e precisam estar com a saúde em dia. Estamos levando diversos serviços preventivos para facilitar o acesso e garantir um cuidado mais completo”, destaca Geise Pereira da Silva, coordenadora do projeto e supervisora de Imunização do município.





