Em um pouco mais de três anos, mais de 1,8 milhão de acidentes de trabalho foram registrados no Brasil, ou 45 mil pessoas afetadas por mês, ou média de 124 ocorrências distribuídas pelos 26 estados e o Distrito Federal.
Esses números espantosos foram contabilizados pela Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAMT) a partir da base de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), entre janeiro de 2023 e maio de 2026 (mais informações neste link).
Na estatística, o país registrou 1.843.694 casos desse tipo e 222.139 ocorrências apenas nos cinco primeiros meses de 2026. Tais impactos lançam luz para mais estratégias de saúde ocupacional, além de chamar a atenção das consequências dessas demandas sobre população, serviços assistenciais públicos e privados e Previdência Social.
Uma das razões para tal panorama está na precisão em identificar e notificar agravos pelos serviços de saúde, analisa Francisco Cortes Fernandes, presidente da ANAMT. “Ao ampliar a notificação, enxergamos melhor onde os acidentes acontecem, quem são os trabalhadores expostos e quais circunstâncias mais contribuem para esses eventos. Isso é fundamental para orientar políticas públicas e estratégias de prevenção”, frisa o especialista.
Em relação ao perfil das pessoas acidentadas, o levantamento constatou que a maioria é do sexo masculino (1.376.463 notificações) no período analisado, ou 74,7% do total. Já as mulheres somaram 466.921 registros, ou 25,3% das notificações.
São Paulo encabeça casos de acidentes laborais
Fazendo um recorte demográfico, cinco estados concentram 67% de todas as notificações nacionais, encabeçado por São Paulo, que contabiliza 533.557 registros, seguido do Rio Grande de Sul (245.641 casos), Paraná (197.011), Minas Gerais (152.192) e Santa Catarina (107.725).
Outra pesquisa, esta do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15), revelou que a cidade de Campinas (SP) atingiu a marca histórica de 1.074 ações judiciais por acidentes de trabalho em 2025, aumento de 63% em comparação com o ano anterior. Em toda a área de abrangência do tribunal, o salto foi de 79%, com 13.803 registros oficiais.
Além dos traumas físicos, Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e transtornos psicológicos estão no rol de notificações, destaca, ao g1, juíza federal do trabalho Amanda Barbosa, do TRT-15, endossando a intensificação das medidas preventivas. “Prevenir não pode ser visto apenas como custo, mas verdadeiro investimento. Assim como não se resume a entrega de um EPI e treinamento, mas sim, um acompanhamento contínuo”, observa a magistrada.
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