O apelo à atualização de aprendizado é pulsante e não rara a sensação de sobrecarga de conteúdo ou pior, uma carência de adesão e absorção prática, especialmente quando se refere à Saúde e Segurança do Trabalho (SST). Conceitos como o microlearning, que combate a fadiga mental e aumenta a retenção ao dividir temas complexos de SST em doses curtas e consistentes, estão cada vez mais sendo aplicados.
Com base neste conceito, quando esse conhecimento é distribuído em “pílulas”, pode ser uma saída para trabalhadores e gestores em aderir a itens importantes, como cumprimento de Normas Regulamentadoras e soluções para um ambiente seguro. Eis que surge o microlearning, termo em inglês para aprendizado de forma modular, em tópicos curtos, acionáveis e recorrentes.
Rômulo Martins, diretor de Produtos de Talent Management da plataforma de empregabilidade Gupy, explica que essa aplicação pode ser feita por meio de conteúdos palatáveis e de fácil acesso, sugerindo recursos, por exemplo, de vídeos curtos, tutoriais, podcasts e infográficos, tornando informações longas e complexas em “doses” breves, mas consistentes.
Microlearning em alta
E isso tem uma lógica: de acordo com estudos em psicologia cognitiva, a velha máxima do trabalhador multitarefa e exposto a muitas interrupções é mais prejudicial à retenção nas funções, além de aumentar a fadiga mental. “É preciso definir objetivos claros do que exatamente se quer alcançar com os treinamentos. A tecnologia vai oferecer possibilidades de conteúdo diversificado, em mídias diferentes. Alterná-las é uma estratégia para prender a atenção e é essencial buscar uma linguagem simples, de fácil compreensão”, recomenda o diretor.
Já Bernardo Góis, colunista do site Administradores, reforça que a questão não é quantidade de horas estudadas, mas a constância desse estudo. Para o especialista, aprender ao longo do tempo, de maneira distribuída, permite que o profissional esteja preparado antecipadamente, em vez de “correr atrás” quando as oportunidades e demandas já estão instaladas.
Um levantamento divulgado também pelo Administradores mostra que a aprendizagem distribuída em sessões curtas, espaçadas ao longo do tempo, geram maior retenção de longo prazo do que blocos intensos e concentrados, como um curso tradicional, por exemplo.
Conhecimento para resolução de problemas
Aprender vai além do âmbito profissional: pesquisas mostram que a humanidade está inserida em um contexto de economia da atenção, ou seja, estar atento está cada vez mais escasso e disputado. Combinar doses de informação com momentos de conversa e partilhas entre times e lideranças, como os Diálogos Diários de Segurança (DDS, assunto discutido aqui anteriormente), torna a adesão à Segurança do Trabalho mais presente.
Uma outra solução está no chamado aprendizado just-in-time. Trata-se de um material disponível no momento da necessidade, que pode ser acessado justamente quando a demanda está instalada e precisa de resolução rápida. “Por essa razão, microlearning é perfeito para ambientes corporativos de e-learning, onde o treinamento é com o foco no aprendizado e transferência de conhecimento”, finaliza Martins, da Gupy.




