O Brasil registrou em abril deste ano a marca de 2.035 focos de incêndio, queda de 13,7% em relação ao mesmo período em 2025, quando o país teve mais de 2,3 mil ocorrências, de acordo com o sistema BDQueimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Para esse enfrentamento, especialmente no período de estiagem e eventos climáticos extremos, empresas e governos se mobilizam em ações de segurança.
Um exemplo é a Raízen, joint venture entre a Cosan e a Shell, atuante na produção, logística de distribuição e comercialização de combustíveis e açúcar, que anunciou o lançamento da campanha anual “Quem Ama a Terra, Não Chama o Fogo”, estratégia integrada preventiva para a safra 2026’27 nos canaviais.
Em números, a estratégia contará com uma frota de brigada de 238 veículos – composto por 206 caminhões-pipa e 32 Veículos de Intervenção Rápida (VIR) –, além de 600 brigadistas e 1,3 mil colaboradores treinados para suporte. Também estão previstas ações de mídia, carreatas e blitzen educativas, orientações em escolas e trabalho contínuo de relações públicas e comunicação interna, bem como a união de esforços com Corpo de Bombeiros, Polícias Rodoviária e Ambiental, prefeituras, associações, empresas parceiras e fornecedores de cana.
A companhia já conta com um sistema de monitoramento 24h e na safra 26’27, e iniciou a instalação de câmeras de alta precisão na unidade Barra, utilizando Inteligência Artificial para mitigar e prever riscos antes mesmo do surgimento das chamas, o que salvaguardará mais de 430 mil hectares de cana-de-açúcar, reforçando a segurança de suas operações agrícolas.
“A cada ano a estação seca vem se antecipando, por isso, intensificamos nossa mobilização, a prevenção de incêndios é um pilar fundamental das nossas práticas no campo. Entendemos que a eficiência operacional e integração de ações junto à comunidade caminham lado a lado com a preservação do nosso entorno”, afirma Hamilton Jordão, gerente corporativo de Operações Agrícolas da Raízen.
Simulados para refinar ações e prevenção
O treinamento contínuo é essencial para previsibilidade de ações em um cenário real, a exemplo da Suzano, produtora e celulose e fabricante de bioprodutos desenvolvidos a partir do eucalipto, que participou de um simulado operacional realizado em Itatinga (SP), reunindo empresas integrantes do Programa de Auxílio Mútuo (PAM), com atuação em diferentes regiões do Estado.
Na oportunidade, cada organização mobilizou profissionais e protocolos, o que possibilitou uma análise integrada da capacidade de resposta rápida a eventuais ocorrências, com foco no período de estiagem, que se estende até o mês de outubro na região. Rodrigo Pimental, coordenador de Inteligência Patrimonial da Suzano explica que essas iniciativas são fundamentais para garantir celeridade em caso de queimadas.
“Investimos constantemente no preparo das nossas equipes e na integração com parceiros, porque entendemos que a prevenção e o combate ao fogo exigem uma atuação coordenada, com uso de tecnologia e profissionais altamente treinados e simulados fortalecem nossa prontidão operacional”, comenta.
MIF é apresentado em evento internacional
O exemplo brasileiro do Manejo Integrado do Fogo (MIF, confira conteúdo especial em CIPA & Incêndio) no combate a incêndios foi apresentado na I Exposição de MIF (ExpoMIF), realizada em Villavicêncio (Colômbia), que reuniu 53 boas práticas de dez países (Brasil, Colômbia, Bolívia, Peru, Venezuela, Equador, México, Itália, Estados Unidos e Espanha).
Dessas, 22 são brasileiras, sendo quatro desenvolvidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em Unidades de Conservação (UCs) federais, como as implementadas nos Parques Nacionais da Chapada dos Guimarães (MT), Serra da Canastra (MG) e Campos Amazônicos (RO), envolvendo servidores, brigadistas e comunidades locais.
“Uma oportunidade única não apenas de mostrar o que temos feito para fortalecer o MIF no Brasil, mas também de ouvir, aprender e somar esforços para promover boas ideias no contexto amazônico e nacional”, resumiu João Morita, coordenador do Centro Especializado em Manejo Integrado do Fogo (CEMIF).




