O ano era 1966 quando Sr. Raymond Levy, um imigrante egípcio com veia empreendedora, decidiu dedicar suas atividades no Brasil a um segmento que ainda despontava: a Segurança e Saúde no Trabalho (SST), incialmente com a produção de vestimentas, conforme explica Jacques Levy, atual diretor e filho do fundador da Leal Equipamentos de Proteção.
“Começamos com roupas profissionais, em um Brasil ainda carente de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Fomos crescendo conforme as necessidades dos nossos clientes, vendendo para companhias elétricas e elas próprias nos solicitavam esses produtos. Antes, buscávamos fora do país e com o tempo, a fabricar no Brasil, depois importar e aumentar a linha. Para se ter uma ideia, o país era ainda muito fechado para importações, só foi melhorar nos anos 1990, e assim trouxemos itens que ainda não estavam disponíveis no Brasil, além de fabricá-los”, relembra Levy.
Fazendo um panorama, o ano de 1966 foi marcado no Brasil por um cenário de forte industrialização e alta periculosidade no ambiente laboral, o que motivou a criação de órgãos de SST, a exemplo da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro). Diante dos altos índices de acidentes registrados na época, surgiu a necessidade de legislações que abarcassem ações prevencionistas nos ambientes de trabalho e, consequentemente, essa busca fortaleceu o mercado de equipamentos de proteção individual.
Parcerias e associações
A Leal possui uma matriz em Campo Limpo Paulista (SP), e escritórios na capital e Navegantes (SC). Em seu portifólio, além de produtos de segurança para trabalho com eletricidade e vestimentas, conta com uma gama de itens entre equipamentos de proteção individual e coletiva (EPIs e EPCs), para espaço confinado e trabalho em altura, ferramentaria e testes de medição e proteção em malha de aço.
Para tanto, as parcerias foram determinantes para destacar a empresa no ramo da importação. Levy acrescenta que o foco da Leal é “ser um fornecedor de tudo”, uma distribuidora com acesso amplo a mercados internacionais. Tanto é que, há três anos, pertence ao grupo inglês Bunzl EPI, que desde 1859 atua no setor SST, com presença em 31 países nos cinco continentes. “O grupo é forte mundialmente em distribuição. Para nós, foi um casamento muito bom, porque tivemos acesso a outros mercados lá de fora, especialmente para compras. Foi colocado aqui mais tecnologia nos nossos procedimentos e melhoramos a gestão da empresa e das equipes em todos os níveis”, endossa o executivo.
Levy, que é presidente da Associação Brasileira dos Distribuidores e Importadores de Equipamentos e Produtos de Segurança e Proteção ao Trabalho (Abraseg), destaca ainda a importância das normas e legislações, de associações, a exemplo da Associação Nacional da Indústria de Material de Segurança e Proteção ao Trabalho (Animaseg).
Innovation Day
Em 23 de abril, a Leal realizou a primeira edição do Innovation Day, uma oportunidade de troca de expertises e vivências em SST. Na primeira parte do workshop, houve uma série de palestras sobre assuntos relevantes na área e no momento atual, como a Inteligência Artificial (IA) e tecnologias emergentes, com ênfase nas Normas Regulamentadoras 10 (NR-10, riscos elétricos), NR-33 (espaços confinados); NR-35 (trabalho em altura) e as aplicáveis para EPIs de proteção ao Arco Elétrico.
O evento contou com uma programação técnica de alto nível, com uma etapa teórica conduzida por especialistas reconhecidos, abordando temas fundamentais para o setor. As palestras foram ministradas por Allan Fernandes, especialista em NR-35, trabalho em altura; Paula Scardino, especialista em NR-33, espaços confinados; Aguinaldo Bizzo, especialista em NR-10, riscos elétricos; e Maria Chies, gerente de Marketing da Westex a Milliken Brand – setor de tecidos antichama.
Na sequência, houve uma etapa prática conduzida pelo corpo técnico da Leal, que apresentou uma ampla gama de soluções em SST, em sua matriz. O evento, aliás, foi realizado em formato híbrido, com 180 pessoas in loco e 600 na transmissão online.
O formato foi organizado para atender as necessidades de todos os profissionais que atuam na cultura da prevenção dentro das empresas. “Temos uma turma de engenheiros de produto, com quatro profissionais, cada qual com uma especificidade: um é cintos, outro é luvas e assim por diante. É importante para estarmos juntos com o cliente. Esse é o nosso intuito, ajudá-lo, mostrar novos produtos, ouvir as dificuldades. Todos saem ganhando, nós nos beneficiamos também. Neste Innovation Day trouxemos novos produtos, boa parte não conhecidos, e experiências de nossos parceiros. A intenção é fazer todo ano um evento como esse, então, tem que ter novidade. São novos produtos, novas técnicas, novas experiências”, frisa Jacques Levy.

Jacques Levy, diretor da Leal
Olhando para trás para traçar perspectivas futuras e pavimentando o presente, o executivo salienta que há muito a ser feito na área de segurança do trabalho, valorizando cada vez mais um fator essencial, do parque fabril a uma operação elétrica: o humano. “A Leal é feita de pessoas que gostam do que fazem”, finaliza o executivo, com o entusiasmo de mais anos de compromisso com a SST pela frente.
A cobertura completa do evento você encontrará na edição 525 da Revista Cipa & Incêndio, com previsão de circulação no fim de maio.
Texto com colaboração da jornalista Keli Vasconcelos




